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Circuit breaker , já ouviu falar ?

Circuit breaker , já ouviu falar ?

O circuit breaker é um mecanismo  B3 que interrompe qualquer negociação de ações quando o mercado cai muito. O primeiro circuit breaker é acionado quando o índice Ibovespa,  principal índice da bolsa  brasileira, o B3, cai 10% em relação ao preço de fechamento do pregão anterior.  Quando o mecanismo é acionado, ninguém pode comprar ou vender o ativo. O mercado congela, obrigando investidores, reguladores e agentes financeiros a interromperem as suas ordens.  

Circuit breaker = proteção   

Após uma queda abrupta dos índices, o circuit breaker é acionado , como resultado, ajudou o mercado a reduzir a volatilidade das ações pois uma queda drástica no valor do mercado das empresas que compõem o índice mostra uma irracionalidade das corretoras financeiras. Em geral, quedas acentuadas ocorrem em tempos de pânico e falta de controle, quando a incerteza prevalece e os mercados tendem a vender ativos. Ou seja, para não atrapalhar as negociações, o mercado de ações dá tempo aos dealers para refletirem sobre suas ações e o impacto de todos os acontecimentos, como consequência trazer racionalidade  ao mercado. 

Uma analogia pode acontecer com os esportes coletivos: no basquete, no vôlei e no futebol americano, por exemplo, o técnico pode interromper o jogo ordenando uma pausa técnica. Não é raro que esses períodos sejam desencadeados quando a equipa é aludida pela oposição, como forma de parar o jogo e rever a estratégia.

Os circuit breaker têm apenas um propósito: interromper a negociação para minimizar  perdas e eliminar falhas de mercado. No meio do caos dos acontecimentos, cujo impacto é difícil de medir, o pânico generalizado pode levar a uma queda significativa dos stocks, pois haverá muitos vendedores e muito poucos compradores. 

Como resultado, as empresas perderão uma enorme percentagem do seu valor de mercado em poucas horas, e os investidores verão o seu investimento despencar num mercado disfuncional que não faz sentido. Portanto, esse artifício deve ser encarado como um mecanismo de proteção ao investidor.

Histórico dos circuit breaker no Brasil

Confira outros momentos em que o circuit breaker foi acionado na Bolsa brasileira:

Em primeiro lugar a Crise Financeira Asiática em 1997

  • 28/10/1997: +6,42%
  • 07/11/1997: -6,38%
  • 12/11/1997: -10,20%

Em 28 de outubro de 1997, o circuit breaker desarmou pela primeira vez. A causa da flutuação foi a  crise financeira asiática. Após vários dias de negociação fracos e três interrupções durante o período em análise, a Ivo Vespa recuperou quase cinco meses depois, em 13 de março de 1998, fechando nos 11.566 pontos.

Em segundo lugar a Crise Russa em 1998

  • 21/08/1998: -2,85%
  • 04/09/1998: -6,13%
  • 10/09/1998: -15,82%
  • 17/09/1998: -4,84%

Em Agosto de 1998, a crise russa eclodiu e os mercados bolsistas globais caíram novamente. A Bolsa de Valores brasileira passou por quatro apagões e diversas negociações negativas em  um mês. Porém, dois meses depois, em 11 de maio de 1998, o índice recuperou força e fechou em 8.092 pontos, recuperando a perda do período.

Em terceiro lugar a adoção do Câmbio Flutuante em 1999

  • 13/01/1999: -5,04%
  • 14/01/1999: -9,96%

Em Janeiro de 1999, adotaram um sistema de taxas de câmbio flutuantes. Nos dois pregões dos dias 13 e 14 anteriores à adoção,  o Ibovespa caiu 5,04% e 9,96% respectivamente, ativando o circuit breaker em ambas as ocasiões. Porém, no dia 15, a bolsa subiu 33,40%, compensando todas as perdas.

Em quarto lugar a crise Financeira Mundial em 2008

  • 29/09/2008: -9,36%
  • 06/10/2008: -5,43%
  • 10/10/2008: -3,97%
  • 15/10/2008: -11,39%
  • 22/10/2008: -10,18%

Em 2008, vivemos a crise financeira global causada pela bolha imobiliária dos EUA. Menos de um mês depois, a bolsa brasileira teve que suspender as operações durante cinco pregões diferentes em setembro e outubro. Em Dezembro do mesmo ano, a B3  voltou a subir, regressando aos níveis pré-crise em Maio de 2009.

As delações Joesley Batista em 2017 em quinto lugar

  • 18/05/2017: -10,47%

Em maio de 2017, a bolsa suspendeu novamente as operações após denúncias contra o então presidente, na época, Michel Temer por parte de Joesley Batista. Como resultado, somente no mês de agosto, o índice conseguiu sua recuperação, e consequentemente deixando as perdas para trás e assim a B3 continuou.

Em último lugar a pandemia do Coronavírus em 2020

  • 09/03/2020: -12,17%
  • 11/03/2020: -7,64%

Depois de 2019 ter sido um grande ano para os mercados financeiros ao redor do mundo, 2020 teve um início muito difícil com o conflito Irã-EUA em Janeiro e como resultado o surto de coronavírus originado na China. Para piorar a situação, a Arábia Saudita e a Rússia lançaram uma guerra de preços pelo petróleo e o Ibovespa mergulhou no seu pior pregão do século, então, acionaram o circuit breaker e caindo 12,17 pontos percentuais em 9 de março.  

Depois disso, houve uma ligeira recuperação para 7,14% nas negociações do dia seguinte, e como consequência a bolsa brasileira foi novamente suspensa no dia 11, quando a Organização Mundial da Saúde (OMS) declarou o novo corona vírus uma pandemia, como resultado, uma queda nas bolsas de valores de todo o mundo.

Curiosidade sobre o não acionamento do circuit breaker

2001 – Atentado terrorista às Torres Gêmeas

  • 11/09/2001: -9,17%

Por causa dos ataques terroristas às Torres Gêmeas, nos Estados Unidos, a bolsa brasileira abriu as negociações com uma queda de 9,17% , como consequência, a maioria das bolsas de valores do mundo acompanharam essa baixa, as negociações ficaram paralisadas até o final do dia. Não acionaram o circuit breaker . Conclusão, a recuperação do índice ocorreu somente em novembro deste mesmo ano, apenas dois meses após diversas negociações de alta.

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